14 janeiro 2016

A 'nova' medicação: Benlysta (Belimumabe)

Hoje irei falar sobre a medicação ainda 'nova' para muitas pessoas, desconhecidas para outras. Também falarei sobre a decisão tomada em conjunto com minha equipe médica por aderir às infusões da mesma. Espero que eu consiga esclarecer um pouco as dúvidas de vocês! 

O QUE É O BELIMUMABE/BENLYSTA? 

É um medicamento injetável de anti-corpo monoclonal humano de investigação. É uma proteína que combate o processo responsável por levar o corpo do paciente a atacar as próprias células de defesa. É o 1° fármaco para LÚPUS em 5 décadas, sendo um tipo de anti-corpo, que dificulta o amadurecimento dos linfócitos B para reduzir seu ataque aos tecidos saudáveis do organismo. É o 1° medicamento desenvolvido especificamente para atuar no tratamento contra a doença. A aplicação é feita por infusão venosa em até 15 doses por ano. O tratamento com BENLYSTA é ministrado em paralelo a outros medicamentos e, apesar das limitações em sua indicação, é muito bem-vindo e representa mais uma esperança, sobretudo para pacientes que NÃO ALCANÇAM UM BOM CONTROLE DA DOENÇA. Com o Benlysta há uma esperança de se resgatar os pacientes dos efeitos colaterais provenientes das medicações atualmente prescritas, como no caso daqueles que estão sob imunussupressão, acreditando ser um importante avanço para o controle do LES.

Dúvidas quanto ao custo benefício e pagamento pelo tratamento pelo SUS-> Não posso responder quanto ao pagamento do SUS ao tratamento com o Benlysta. Acredito que sendo esse tratamento indicado como último recurso para pacientes com LES, o médico reumatologista responsável pelo paciente deverá fornecer um laudo justificando a necessidade da liberação do tratamento com a referida droga, colocando como motivo contraindicações surgidas no tratamento com outros medicamentos usados anteriormente. Isso será levado a um processo judicial onde será decidido a liberação ou não desse tratamento. Não posso informar com certeza se é esse o procedimento, pois faço o tratamento com o Benlysta desde julho de 2014, mas tenho um plano de saúde que cobre a despesa ( não é SUS). Cada infusão do Benlysta custa aproximadamente R$3800,00 valor relativo a cada dose indicada para uma pessoa com até 60kg. Um paciente que receber 15 doses dessa medicação ao longo de 12 meses, dará um custo anual da terapia de aproximadamente R$57 mil  para cada ano de tratamento. Esses valores podem ser ainda muito mais altos, considerando a variação de peso dos pacientes, ou como no meu caso com o início do tratamento tendo doses de ataque de 15 em 15 dias. Atualmente faço as aplicações a cada 28 dias. A decisão da liberação do pagamento do tratamento é feita após a justificativa do médico reumatologista no pedido do tratamento.  

Quem pode usar o Benlysta? Apenas pacientes que apresentam sintomas agudos e já fazem o tratamento padrão têm indicação para o uso do Benlysta. É indicado para pacientes que não apresentam boa resposta ao tratamento convencional, podendo representar maior controle dos sintomas e menos reações adversas. O medicamento biológico tem este nome porque contém proteínas geradas em laboratório por organismos vivos. Também pode trazer efeitos colaterais efetivamente indesejáveis, como catarata, estrias, ganho de peso, osteoporose, osteonecrose, doença coronariana, acidente vascular cerebral (AVC) e aceleração dos fenômenos asteroscleróticos. A Anvisa aprovou a venda desse 1° medicamento da classe dos biológicos no país para controlar os sintomas do Lúpus Eritematoso Sistêmico. A decisão do uso do Benlysta é sugerida pelo médico reumatologista, que tomará a decisão final em conjunto com o paciente.
Quanto ao TERMO DE CONSENTIMENTO:  Foi feito em duas vias, UMA PARA MIM E OUTRA PARA O MEU MÉDICO, e segue anexo parte do mesmo. Acho importante que tenhamos conhecimento dos benefícios, riscos, potenciais complicações e alternativas possíveis para o uso de imunobiológicos, como o BENLYSTA. Quanto ao acesso ou não a esse termo de consentimento, não sei se é obrigatório ou não, mas considero o mesmo algo simples que explica de forma clara e acessível detalhes quanto ao uso do imunussupressor. Acho natural assinar um TERMO, uma vez que quando me submeto a cirurgias e anestesias gerais, sempre recebo documentos com instruções e que, se concordo, devo assinar. Isso, até mesmo em exames, como os de medicina nuclear. Acredito que faz parte do processo. 

Por que EU estou usando o BENLYSTA? Iniciei tratamento para o LES com GLICOCORTICÓIDE EM DOSES ALTAS, tendo boa resposta clínica. Precisava manter droga imunussupressora continuamente e a melhor opção tinha sido MICOFENOLATO MOFETIL. Entretanto, vinha tendo LEUCOPENIA com o uso dessa medicação. Uma opção de tratamento seria a AZATRIOPRINA, mas tive PANCREATITE AGUDA com o uso dessa medicação e, portanto, também é descartada. Além da CISTITE LÚPICA,  tenho outros indícios de atividade da doença, como ARTRITE, E CONSUMO DE COMPLEMENTOS. Sou dependente de CORTICÓIDE e já fazia tratamento padrão para o LES. O uso do BENLYSTA foi solicitado NO MEU CASO devido às reações com o uso do Micofenolato e da Azatioprina. Além das aplicações deste medicamento tomo uma série de outros medicamentos paro o LES, diariamente, incluindo a HIDROXICLOROQUINA 400mg.

Onde ( ambiente) é feita a APLICAÇÃO DO BENLYSTA? O produto é enviado diretamente para o setor de aplicações de TERAPIA IMUNUBIOLÓGICA E QUIMIOTERAPIA do CENTRO DE CÂNCER DO HOSPITAL MÃE DE DEUS, onde é agendado e realizado o procedimento. Tenho uma carteira onde constam as datas e horários das aplicações (no meu caso atualmente a cada 28 dias). Elas são realizadas em salas específicas de quimioterapia, após a verificação de meus sinais vitais. Demoram 1 hora, e depois de terminar o procedimento, preciso permanecer mais 1 hora nas dependências do prédio, aguardando a liberação caso não surgirem reações a aplicação.

 A doença
Embora atinja indivíduos de ambos os sexos e de diferentes origens, a maior incidência do LES é registrada em mulheres afrodescendentes, com idade entre 15 e 50 anos.  Sua causa clínica é desconhecida, mas entre os fatores de risco comumente relacionados ao surgimento dessa patologia encontram-se: herança genética, aliada a gatilhos como exposição solar em excesso e desequilíbrio emocional, como o estresse.  Já as reações orgânicas provocadas pelo LES variam de acordo com a severidade e seus estágios. Nas formas mais leves, ou de menor atividade da doença, a pessoa pode desenvolver artrite, fadiga, perda de cabelo e problemas na pele. À medida que o desequilíbrio imunológico não é controlado, outros sintomas podem ser desencadeados, como queda no número de hemácias (anemia), plaquetas e glóbulos brancos (leucócitos) no sangue. Nos casos mais graves pode haver acometimento dos rins, ocasionando perda de proteína na urina, inchaço nas pernas e insuficiência renal – o que pode levar à necessidade de sessões de hemodiálise. Quando acomete o sistema nervoso central, a doença pode provocar desde dores de cabeça até convulsões e paralisia. Devido a essas alterações, o portador de LES pode apresentar sintomas frequentes de alterações de humor, depressão, inflamação na pele, juntas, cérebro, rins, coração e membranas que recobrem o pulmão, perda de apetite, febre baixa e fadiga crônica. Os medicamentos convencionais são utilizados, portanto, para combater ou minimizar essas manifestações clínicas e proporcionar reequilíbrio do sistema imunológico.
Tratamentos convencionais
A primeira revolução no tratamento da doença aconteceu há mais de 50 anos, com a adoção dos corticoides (ou corticosteroides) – esteroides sintéticos que combatem processos inflamatórios. Em pacientes com LES, eles são usados para controlar as inflamações que ocorrem em vários tecidos do corpo. Mas esse benefício é comumente acompanhado de vários efeitos colaterais, cuja frequência está diretamente relacionada às doses utilizadas e ao tempo de uso, como ganho de peso, enfraquecimento dos ossos e da pele, infecção, diabetes e inchaço facial. Assim como os corticosteroides, os demais medicamentos utilizados no tratamento do LES (antimaláricos, imunossupressores e anti-inflamatórios não hormonais) têm uma ação limitada quanto ao controle da doença. Por esse motivo, algumas pessoas dependem do uso contínuo desses agentes, o que aumenta as chances de surgirem os vários efeitos adversos e, consequentemente, ocasionam uma baixa aderência dos portadores aos tratamentos e até o abandono da terapia. “Hoje, uma mulher entre 30 e 40 anos [público no qual predomina a doença] tem índice de mortalidade maior do que uma mulher da mesma faixa etária sem lúpus, e não é apenas por causa da doença, mas também, em parte, devido aos efeitos colaterais da medicação”, afirma Levy. Para a reumatologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, Sandra Andrade, assim como, há 50 anos, os corticosteroides representaram uma revolução no tratamento do LES, hoje o Benlysta pode vir a ser um divisor de águas. “É uma esperança de se resgatar os pacientes dos efeitos colaterais provenientes das medicações atualmente prescritas, como no caso daqueles que estão sob imunossupressão”, destaca. De acordo com a médica, os efeitos colaterais provenientes dos imunossupressores, sobretudo para os pacientes do sexo feminino, podem trazer muitos danos, como insuficiência ovariana. “Essa disfunção pode levar à infertilidade e a uma menopausa precoce, com todos os problemas advindos deste fato”, pontua a especialista.

No dia 04 de fevereiro de 2016 farei a minha 22° Infusão do Benlysta. Sou grata a Deus por estar superando dia após dia essa batalha com o Lúpus. 
Afinal:
Tudo Posso Naquele Que Me Fortalece! 


8 comentários:

  1. Respostas
    1. Amém!!! Obrigado pelo carinho!! ;)

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    2. Boa tarde eu tenho lúpus à quatro anos Fasso uso de medicamentos mas me sinto muito mal ja perdi o movimento do braço direito a um ano fazendo fisioterapia fortes dores na coluna tenho diagnóstico de vários problemas de saúde por causa do lúpus e gostaria de saber como fazer para iniciar esse tratamento com esse medicamento benlysta aguardo uma resposta sua que Deus nos abençoe amem

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  2. Estou fazendo o tratamento tbm,mas pelo SUS no centro de pesquisa do HSL. Estou muito bem gracas a Deus. Muito legal tuas observações e servem d ajuda p muitas pessoas. Bju

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    1. Boa tarde tenho 49 anos e sofro muito com o Lúpus foi diagnosticado em 2013 mas já perdi o movimento do braço direito foco fisioterapia a um ano e a tenho exames que comprova artrose em várias parte da coluna eu sofro muitas dor gostaria de saber como fazer para esse tratamento que está dando certo desde já agradeço fico esperando uma resposta

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  3. Olá,Ana Paula!
    Minha mãe vai iniciar o tratamento com benlysta e eu gostaria de saber mais detalhes ( além dos que vc mencionou no texto acima ).
    Como vc se sente após a utilização da medição?!
    Vc ainda utiliza essa medicação?!
    Vc teve melhora no seu quadro desde a tomada da medição?!
    Ficaria muito feliz se vc puder responder às minhas perguntas.
    Desde já agradeço!

    Atenciosamente,

    Natália.

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  4. BOA SORTE... FICO TRISTE EM RELAÇAO QUE MINHA MAE NAO CHEGOU A FAZER ESSE TIPO DE TRATAMENTO. MINHA MAE FALECEU ESSE ANO EM ABRIL, ELA DESCOBRIU QUE ESTAVA COM CANCER, MEDICOS CONSTATARAM QUE FOI DEVIDO A SOBREVIDA DA DOENÇA, ELA DINHA LUPUS A 32 ANOS... AGORA LUPUS PARA QUE MUITOS PACIENTES POSSAM FAZER ESSE NOVO TRATAMENTO..

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  5. Tenho 53 anos e vou para a quarta sessão, mas não tenho sentido melhoras na questão das feridas. Esse mês, por exemplo, estou com muitas e o metrexato me derruba E isso tem me deixado muito desanimada. Espero que as coisas se modifiquem.

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